quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Finalmente!


"Finalmente!"
Esse é o pensamento de Eduardo ao ver que a menina o aceitou no facebook, mas o sentimento de coração acelerado logo passa quando ele percebe que ela não esta online. Querendo muito falar com a menina, o rapaz resolve esperar um pouco pra ver se tem sorte e encontra com ela.
E sim, o destino ajudou.
Alice tinha acabado de ficar online e, antes mesmo que o rapaz pudesse pensar em chamá-la, foi surpreendido... com um simples, mas muito significativo, “Olá!”
Nesse momento, o rapaz não sabia nem o que responder a um simples 'olá', ele só conseguia ouvir seu coração, pulsando acelerado. Digitou várias coisas e apagou, queria passar uma boa impressão, afinal, como dizem, a primeira impressão é a que fica... Então o rapaz, depois de pensar alguns segundos acabou respondendo com um simples “Oi, como vai você?”, mas querendo realmente dizer “Nossa, você não tem noção do quanto te esperei”.
Ele não perde oportunidades: elogia a música da menina e tenta concordar ao máximo com as coisas que ela gosta, tentando passar uma boa impressão à Alice. Ele, então, sem saber mais quais assuntos puxar com a menina, mas não querendo deixar o assunto esfriar e perder essa chance, resolve puxar um assunto que seria infalível: a banda de Alice.
E ela o convida para seu próximo ensaio, o próximo ensaio da Poeira Cósmica.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Dois lados da mesma roupa...


“Alice, prepare um figurino inspirado na década de 50, com uma pegada contemporânea!”
“Qual é o prazo?”
“Humm, uma semana. Você será a primeira a apresentar.”
A notícia caiu como uma bomba atômica na mente da vocalista. Mil coisas a fazer para a banda e ainda um figurino chato. Tudo bem que ela gostava de desenhar roupas, mas de forma livre. Essa pressão de ser a primeira e ainda com a temática forçada. Ah, como Alice odiava ser obrigada a fazer algo! Pior que nem poderia mais protelar, era o projeto final do semestre, na matéria que só aquela professora chata dava aula. Sem esse projeto, poderia ser reprovada e ter que aturar essa professora de novo seria pior, muito pior.
Às vezes, se deparar com essa realidade era meio tenso para Alice, perceber que nem sempre podia fazer o que estava em seu interior. A sociedade exigia certas condutas que Alice nem sempre concordava – quase nunca concordava. Enfim, se havia de ser assim, nesse caso não adiantava brigar.
Não poderia mais, pelo menos por uns dias, atualizar tudo sobre a banda na internet. Só alguns minutos por dia e olhe lá.

No início fora até difícil pensar, mas Alice gostava da coisa e estava começando a fluir na produção. Tanto que nem se lembrava mais da internet.Cada linha, cada botão, cada peça mínima do figurino era um pouco dela, era um pouco rock, um pouco moderno, um pouco forte, um pouco diferente, um pouco loiro. No final, a roupa era Alice.
Do outro lado da fibra óptica...
 Eduardo ficava cada vez mais aflito sem notícias da sua musa cantora. Havia sonhado com ela durante os últimos dias, mas sonhos não eram bastante, quando acordava, percebia a distância entre o sonho real e lembrança de uma fantasia. Não conseguia parar de conferir seu perfil no Facebook, quase a cada dois minutos para saber se a Alice tinha finalmente aceitado, entrado em contato, qualquer coisa...
Pior que Alice até conectava, mas era tão pouco o tempo e o destino parecia conspirar contra: Eduardo nunca a via on line.
Assim, se passaram alguns dias (dois ou cinco? nem sei), era uma roupa que tinha dois lados: um era o verso nas mãos de Alice, o outro era o avesso do desencontro para Eduardo.




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Conexões

Mal chegou em casa, Eduardo queria logo encontrar os perfis da banda de Alice, a Poeira Cósmica. Ficaria tão feliz em saber mais sobre ela. Seria ótimo ver a vocalista de novo. Uma sensação agradável. Mas, nada é perfeito, quando Edu chegou em casa e tentou conectar percebeu que sua 3G estava com problemas. Tentou milhões de vezes e nada... Logo no dia em que ele mais precisava!
“O pior é que a baixada sempre é mal atendida nesses serviços. Nenhuma operadora se preocupa em prestar um serviço decente por aqui. E aí, mesmo que eu pague a mesma mensalidade de outros lugares, tenho um serviço porcaria, pra não falar um palavrão!” Essas palavras foram repetidas umas cem vezes para os atendentes da operadora. Até que, cansado, afinal tinha virado a noite, Eduardo desistiu de tentar pelo menos até mais tarde. O sono decidiu que era hora de chegar a Eduardo...
“Hummm, acho que agora vai!” E, de fato, foi.
Finalmente, quando Eduardo conseguiu conectar, percebeu a lentidão da internet, mas, mesmo assim ficou feliz. Poderia contactar Alice nas redes sociais. Adicionou a banda em seu Facebook, seguiu-a em seu Twitter. E começou a pesquisar sobre vários assuntos, principalmente fotografia e eventos de música... Foi assim que, quando, por um milagre, a internet ficou rápida, ele conseguiu encontrar um vídeo de Alice... 
Menos de cinco minutos de vídeo foram suficientes para ele ter oito horas de sonhos durante o resto do dia...

domingo, 11 de dezembro de 2011

Inevitável


 Quando Eduardo chegou todo vermelho e envergonhado, Caio apresentou os dois. Agora que ambos sabiam seus nomes, era suficiente para Eduardo sonhar.
“Oi Eduardo.” Era a voz dela dizendo seu nome, e Eduardo mal conseguiu dizer “Oi Alice”, quando seus olhos se encontraram de novo.
“Desculpa por ter pegado sua câmera. Sabe como é? Achei ela muito legal, e o Caio estava tão ocupado, que peguei emprestado um pouquinho”
“Ah, é, eu estava ocupado? Você é fogo, Alice! Sempre apronta dessas.”
“Eu só queria tirar umas fotos legais. Depois entregava!”
“Isso é verdade. Você sempre pega as coisas só pra implicar ou por curiosidade.”
“Você sabe que adoro irritar os outros.”
Alice estava acompanhada da amiga baterista, mas a conversa ficou mesmo como o destino queria. Antes que o dono do bar pudesse chegar, Caio saiu rápido de volta pro bar, levando junto a outra garota e falando: “Voltando pro trabalho, agora. Alice, se explica aí pro Edu.”
“Bem, eh, Alice..”
“Desculpa, Edu, foi o que disse só queria ver como é usar uma câmera profissional.”
“Tudo bem. Mas você poderia ter pedido né?”
“Eu sei, mas aí eu não seria a Alice desse jeito!”
“Ah tah, meio louquinha... como disse o Caio?!”
“É por aí, mesmo...” Ao dizer isso, foi inevitável Alice não sorrir. E, como um efeito de resposta direta: Edu também sorriu.
“Você gosta de fotografia?”, perguntou Eduardo meio tonto pelo sorriso dela ainda.
“Sou muito curiosa, isso sim!”
“Percebi, por causa dela fiquei tomando fora de cada menina de cabelo loiro e vestida de xadrez daqui...”
“Sério?! Que doido!” E, dessa vez, é uma sonora gargalhada que sai da boca de Alice.
“Você ainda ri!”
“Desculpa, mas imaginei a cena! Sou muito imaginativa!” Inevitável dessa vez foi Eduardo também não dar uma sonora risada.
Por mais incrível que pareça, o tímido e vermelho Eduardo se mostrou uma ótima companhia para a travessa Alice. Passaram um tempo conversando, até que chega a hora da banda tocar de novo. Como se lesse os pensamentos de Edu, Alice passa os perfis sociais da banda, em um papel rabiscado rapidamente. “Bem, tenho que voltar pro palco! Procura a gente na rede. Vamos manter contato!”
Eduardo balbucia um “uhum” enquanto vê a Alice partir para o seu habitat inevitável.

sábado, 10 de dezembro de 2011

A saga de um click

Sem reparar em seus atos, Eduardo clicava freneticamente, focalizando a vocalista sem nome, que o havia cativado. Tanto que quase se esquece de fazer seu trabalho. Até que o dono do bar o chama e ele retorna da fantasia clicada para a realidade. São apenas alguns segundos ouvindo o tal cara, mas o suficiente para a vocalista sem nome sumir do palco, levando junto o brilho do olhar de Eduardo.
Após algum tempo de procura, o fotógrafo decidiu desistir de buscar sua musa cantora em cada garota do bar. Então, cumpriu o trabalho para o qual foi contratado. Cansado, vai até o bar e começa uma conversa com Caio, o barman, enquanto toma alguma coisa. Nessa hora, seu celular toca e ele tem de ir até fora do bar pra atender. Pede pro barman guardar sua câmera enquanto atende ao telefone e respira um pouco daquele tumulto de gente.
Caio concordou, mas não pensou que estaria tão ocupado a ponto de não conseguir vigiar nem as garrafas de bebida de seu balcão. Assim, em um dado momento, Caio só consegue ver uma garota se debruçando no balcão e saindo com a câmera de Eduardo. 
“Droga, Edu vai me matar! Pior! Agora vou ter que pagar a câmera! Toh ferrado!” Mal pensou nisso e Eduardo apareceu perguntando sobre a câmera. Deve ter lido na cara de Caio o que aconteceu, pois fechou o rosto e pulou pro outro lado do balcão, dizendo: “Que que houve? O que aconteceu com a minha câmera, Caio?” Depois de explicar tudo que aconteceu, agora era dever de Caio ajudar Edu na saga pela câmera. E, assim, foi.
Os dois começaram a correr de um lado pro outro.
“Me diz como é a garota?”
“Ah, tem cabelo loiro, e tah vestida de camisa xadrez.”
“Ah, bela descrição. Isso só encaixa em quase todas as garotas daqui!”
“Poxa, cara, sou barman, não fotógrafo”
“Se fosse, saberia que a câmera tem a minha vida!”
De longe, Caio vê uma garota. “Bem que podia ser ela!” Ele aponta e Eduardo corre na direção:
“Ei, poderia me devolver a câmera?”
“Que câmera? Seu doido!”
“Não é ela, cara!”
“Desculpa, aí, confundi você!”
“Devia fazer um óculos!”
O pior de tudo é que Edu perdeu a conta de quantas vezes correu, perguntou sobre a câmera nervoso e recebeu respostas mal-educadas. A do óculos nem foi a pior.
“Que câmera?”
“A que você pegou no bar!”
“No bar eu só pego cerveja!”
Houve um momento que Edu pensou que ia levar uma surra. Uma garota estava com um namorado grande e, mesmo Edu sendo educado, o cara olhou com uma cara tão feia, que assustou até a alma do fotógrafo.
E foi assim, durante parte da noite. Ora uma resposta mal-educada, ora uma quase surra, ora uma depressãozinha pela perda. Edu, cansado de correr, começava a se conformar com a ideia de ter perdido sua amada câmera. Do nada, Caio aparece, com um sorriso. Eduardo quase voa no pescoço dele, mas Caio é mais rápido em dizer: “Achei a garota! Ela é louquinha!” “Vamos logo, então!”

Tal qual não foi a surpresa de Eduardo quando viu a sua frente ela, sua musa cantora, a vocalista sem nome, segurando sua câmera. Ela era tão linda que ele até esqueceu das milhares de fotos dela na câmera dele. Quando se lembrou disso, foi subitamente ficando vermelho enquanto caminhava até ela, torcendo pra ela não ter visto nada. A essa altura, Caio já estava perto dela, falando sobre o dono da câmera.
Do outro lado Alice, com a câmera na mão, pela primeira vez na vida, se envergonhou por ter feito algo doido. Aquele era o cara que tinha feito seu olhar se perder, no início da noite. E logo dele, ela pegou a câmera. Isso não ia terminar bem...


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Apenas mais um dia



Eduardo abriu os olhos, mas pensou em faltar ao trabalho. Estava tão cansado, bem podia continuar dormindo no ônibus, após o trem. Depois da faculdade, no caminho para o trabalho, poderia descansar e pensar nas coisas de sua vida: a fotografia que tanto ama, a mãe que precisava dele, e a faculdade como uma perspectiva de futuro. Pelo menos, aquele dia não seria totalmente perdido: havia o sms de Caio, seu amigo barman, recebido por volta das 9h, falando sobre o trabalho no show de uma banda independente. Bom, pelo menos era um trabalho de fotografia. E o pessoal se encontraria lá, sempre sobrava um tempinho para curtir o lugar e era bom saber que seus amigos estariam por perto. Agora, era a sua estação: Nova Iguaçu. Hora de saltar do trem do devaneio e entrar na realidade.

Até que o trânsito colaborou com Alice, moradora do bairro K11, em Nova Iguaçu. Ela era vocalista de uma banda de rock alternativo, dona de um estilo próprio, com um conceito pra quase tudo no mundo, era leve e doce de se ver, tinha algo no olhar dela, algo profundo demais, que ela muita vezes tampava com sua franja. Chegou bem rápido à reunião com o pessoal. Mas, a baterista parece não ter a mesma sorte, demora uma eternidade para chegar. Enquanto ela não chega, Alice faz o seu cover e todos adoram. Enfim, quando a atrasada chega, decidem fazer o cover no show da noite.
Havia chegado a hora de irem, tinham que passar o som antes de subirem ao palco, pegaram a Kombi velha e foram. Ou tentaram: “Droga, quebrou de novo! Vamos ter que empurrar! Porcaria!” E lá foram eles..
Ao chegar lá no trabalho extra, Eduardo falou com o seu amigo barman, olhou o lugar e achou os melhores ângulos. De repente, uma voz doce e forte o tira do foco.
Ao subir no palco, Alice se tornava outra pessoa, mas ainda era ela. Ela a Alice livre, solta, sem correntes, sem problemas. Era feliz. Parecia iluminada, estava luminosa.
E foi essa Alice que enfeitiçou nosso amigo fotógrafo. Ela percorreu seus olhos pela multidão, sempre fazia isso, para saber como estavam recebendo a sua música. Eduardo a viu, se encantou e não conseguiu mais deixar de olhá-la. Alice reparou naqueles olhos castanhos que a seguiam.

Seus olhos se encontraram. O mundo parou. Esqueceram de tudo. E, sem saber como, perceberam que, definitivamente, aquele dia não era apenas mais um dia.