sábado, 7 de janeiro de 2012

Apenas o início...


Assim que Eduardo compra o ingresso, o cara da bilheteria avisa que aquele era o último. Por sorte Eduardo estava com a carteirinha da faculdade e conseguiu pagar. Ele nunca foi tão feliz pagando meia-entrada.
O rapaz consegue entrar com dificuldade e vê a sua musa no palco.
Alice, no palco, vê a luz que entra pela porta e enxerga no perfil desenhado seu Eduardo. Não acredita no que vê. “Só pode ser uma alucinação!”
O perfil vai se aproximando com passos lentos e dificultados pela multidão.
Alice para de cantar. Sabe, no fundo, que não é uma alucinação. “É real!”
O perfil agora se torna alguém, o alguém tão esperado: Edu está ali, agora mais próximo do palco. As pessoas à volta estranham e iniciam um murmúrio.
Alice desce do palco. As pessoas abrem espaço para a passagem dela.
Eduardo tira do bolso a música que re-escreveu. Está a menos de um metro dela, finalmente. Entrega a música a Alice. Ela lê. Se emociona.
Eles se olharam e, antes dos lábios pronunciarem as palavras, já sabiam o que seria dito...
Em um sussurro baixo e intenso, três palavras são ditas por ambos. Ao mesmo tempo, as bocas se unem, enquanto falam: “Eu te amo”

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Perdas e ganhos


Eduardo acorda com a sensação de ter perdido algo. Quando olha para o lado, está sua mãe com o celular e um papel na mão.
“Sua amiga saiu há uns 30 minutos”, ela lhe entrega ambos.
Com pressa e sem entender o porquê, Edu lê o papel. Na mesma hora, fica inquieto. Sabia que tinha de sair dali na mesma hora, mas não conseguiria com sua mãe por perto. Tinha que pensar rápido. Como um flash, uma ideia surge na mente dele.
“Mãe, estou com sede. Pode trazer um suco pra mim?” – perguntou e fez aquela cara de cachorro “pidão” que a mãe não suportava.
Alice estava em casa, já havia ligado para todos e todos estavam eufóricos, menos ela. Porque seria? Todos tinham apenas motivos para ficar felizes, mas ela não.
Assim que a mãe saiu, Eduardo pegou a mochila e começou a vestir suas roupas. Mas, sabia que tinha de ser rápido para sair dali antes que a mãe voltasse.
Alice pegou a mochila e as chaves do carro e da Kombi. Não podia esquecer o violão. Não costumava tocar violão no show. Não importava se haveria vaias, ou se o pessoal não gostasse. Ela faria uma parte acústica, se fosse preciso. Naquele dia ela cantaria a música feita para Eduardo.
Eduardo se veste e sai rápido, mas com cuidado. Não podia deixar que a mãe ou o médico vissem. Antes que chegasse ao fim do corredor, avista o médico. Olha para o outro lado, e vê a mãe vindo com o suco. “Droga! E agora?”
A Poeira Cósmica chega ao evento. Todos estavam muito falantes, mas Alice passou o caminho inteiro distante. Sua alma estava no hospital, com Eduardo.
Eduardo decide arriscar o lado do médico. Vê um enfermeiro indo para lá e fica ao lado do enfermeiro, se escondendo. Consegue passar pelo médico, sem ser percebido. Dali para frente, o caminho para a saída é livre. O fotógrafo sai do hospital, se sentindo um ninja.
Alice e o pessoal começam a arrumar as coisas. Montam os instrumentos. Fazem a passagem de som. E ela? Calada, sempre que possível.
Eduardo pega uma van para o local do show da sua vocalista preferida. Põe a mão no bolso e verifica se a música que fez estava lá. “Sim!” Estava. Um leve sorriso com uma dose de esperança invade o coração do rapaz. “Eu vou conseguir.”
A banda se prepara. Há muita gente no lugar. Eles estão felizes, mas a vocalista parece estar triste. Ninguém sabe o que há com ela.
Eduardo consegue chegar. Está na porta do lugar. Agora só resta entrar. “Tomara que o ingresso não seja caro...” – ele pensa, lembrando que não estava com muito – “... e que ainda tenha ingresso.”
Lá dentro, Alice está pronta. Ou pelo menos quase pronta. Falta algo para ela. Falta alguém. Falta Eduardo.
Do lado de fora, Edu ainda ouve uma voz conhecida, mas triste. “É ela!”
Alice inicia a primeira música, mas, nos pensamentos dela “Isso não será um show. Era pra ser o melhor, mas será apenas um lamento.”

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sorte ou azar?

Alice chega ao Hospital da Posse, com uma sensação de urgência. Ela não tinha noção de como era lotado o lugar. Só de pensar no seu Eduardo ali, Alice sente um aperto no coração ainda maior. Por sorte, aquele era o horário de visitas e ela pôde vê-lo. Mas, não havia tanta sorte assim: ele estava dormindo. Alice conversou mais um pouco com a mãe dele, Dona Alda:
“Ele está bem?”
“Sim, foram só arranhões. O mais grave mesmo foi a fissura no pé, mas o médico falou que ele teve sorte.”
“Que bom. Fiquei bastante preocupada!”
“Ele fala muito de você, Alice... Você gosta dele não é?”
Uma Alice vermelha e envergonhada respondeu apenas com um aceno de cabeça, pois a voz – e ela já estava se acostumando a ficar assim quando o assunto era Eduardo – havia sumido.
“Bem, vou deixar você um pouco com ele, preciso de um lanche!” – respondeu Dona Alda, percebendo a dificuldade da garota em falar dos seus sentimentos.
Alice fica ali, olhando seu querido Eduardo. Pensou em como foi idiota por brigar com ele, quando ele só se preocupava com ela. Pensou em como foi idiota por não entendê-lo. Pensou em como ficou preocupada quando soube do acidente.
Ela estava perdida em seu mundo, quando uma ligação a traz de volta. Ela atende rapidamente e descobre que é o produtor de um evento grande.
“Oi, tudo bem?”
“Ah, sim. Alice, estou te ligando para perguntar se a Poeira pode tocar hoje, aqui?”
“Mas...”
“Eu sei, é muito em cima. Só que uma das bandas não pode vir, e pensei na sua. Sabe como é? Tem o mesmo estilo e tals.”
“Nós adoraríamos, mas tenho que falar com o resto do pessoal.”
“Ah, claro que eles vão querer. Fechado então! Já sabe que vocês abrem o evento né? Espero por vocês!”
Antes que ela pudesse falar algo, o telefone desligou. E a dúvida caiu sobre o coração da vocalista. Um golpe de sorte ou de azar que tudo acontecesse dessa forma? Olhou para o celular e para Eduardo.
Novamente, os pensamentos vêm para Alice como uma rajada. Ficar com Eduardo era o que ela queria, mas essa chance era única. Jamais o pessoal a perdoaria se ela não fosse. Pensou em como não conseguia sequer dizer que gostava dele para a mãe. Havia anos de estrada em jogo. E se eles conseguissem fazer sucesso, Alice não provaria o poder da música pros pais. Alice se sentiu uma perfeita idiota. Nunca havia se sentido assim na sua vida, mas começava a perceber o poder que Edu tinha em fazê-la descobrir novas coisas, mais do que isso, novos sentimentos. Subitamente, pegou um pedaço de papel e escreveu algumas palavras.
“Gostaria que você estivesse comigo lá”. Assim terminava o bilhete. Deixou embaixo do celular de Edu e saiu, apressada e triste.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Eduardo no hospital

Com uma visão ainda nublada, Eduardo abre os olhos. Ele já estava no hospital, já havia sido medicado e sua mãe estava sentada, olhando pra ele. Parecia muito mais aliviada ao ver o rapaz abrindo os olhos.
"Eduardo, como você está meu filho?" - antes de ele responder, ela continua - "Tanto que eu te falo pra você prestar atenção na rua e você me dá um susto desses!"
A mãe parecia muito preocupada com o estado de saúde do rapaz, que só tinha sofrido uma micro-fissura no pé.
Ele não conseguia falar direito, só conseguiu segurar a mão de sua mãe, pois os remédios ainda estavam agindo e ele se sentia dopado. Eduardo acaba fechando os olhos de novo e a mãe dele sai para tomar café, levando a mochila do rapaz.

“Não consigo entender por que ele não me atende” Era o pensamento de Alice, sem saber de nada, mas pensando mil coisas do rapaz. E, a cada ligação que ele não atendia, mais ela se preocupava.

A mãe dele resolveu ligar o celular de Eduardo, para caso alguém ligasse, e quase que instantaneamente, Alice conseguia realizar a sua chamada:
"Alô?" – A mãe de Eduardo atende com uma voz ainda de preocupação.

Alice estranha a mãe de ele ter atendido e fica ainda mais preocupada.
"Oi, boa tarde, gostaria de falar com Eduardo!"

"Minha filha, aqui quem fala é a mãe dele, ele acabou de sofrer um acidente e está hospitalizado."

Sem muito o que falar e com uma preocupação enorme, Alice pegou o endereço do hospital e foi correndo em busca de notícias. Principalmente, querendo ter certeza de que ele estava bem.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O avesso das coisas...

"Droga Alice! Você sabia que precisávamos desses projetos pra hoje! A única coisa que você tinha que fazer era trazer! Não sei onde você está com a cabeça! Juro que não sei!" Com tantos dias pra esquecer alguma coisa em casa e Alice foi escolher logo o dia de entrega de projetos. Sua amiga Sophia discutia com a menina enquanto ela tentava resolver esse imprevisto. Alice parecia não estar ali, sua cabeça parecia que iria explodir. Sentia um sono que parecia não passar, nem se ela dormisse 36 horas... Mas ela não poderia relaxar, pegou seu carro e foi correndo para sua casa, onde estava seu projeto.

Quase que no mesmo horário, Eduardo acabava de acordar. Tinha faltado às aulas na faculdade, mas não parecia muito incomodado. Por mais que tentasse, não conseguia levantar da cama. Ficou deitado por mais algumas horas, olhando pro teto e esperando algum tipo de ânimo pra viver aquele dia. Sentia que havia algo errado, sentia que aquele não era um dia comum.


Alice chegou quase no final das apresentações do projeto e se tivesse tido sorte ela conseguiria apresentar seu trabalho. Mas sorte não era a palavra de ordem naquele dia do avesso. O professor percebeu a falta da parte dela. Era certo que quase tudo estava dando errado, mas o trabalho dela estava impecável. E, assim, ela acabou tendo que conversar muito com o professor. No fim, acabou conseguindo apresentar sua parte um outro dia. Ela até ficou aliviada: "Não era um bom dia!"

No outro lado da cidade, Eduardo almoçava, ainda sem ânimo pra sair de casa, mas preocupado com horários, pois o trabalho era a única coisa que ele não poderia faltar. Pegou sua mochila, verificou se seu Bilhete Único estava em seu bolso e trancou a porta, como um dia comum. Pena que não era um dia comum... 
Eduardo atravessou a rua, indo em direção ao ponto de ônibus perto de sua casa, quando avistou que o seu ônibus estava vindo. Na tentativa de pegar aquele ônibus, o rapaz correu, fez sinal, mas o motorista não parou. Ele ficou nervoso, parado ali no meio da rua.

Olhou pra trás, pois ouviu uma buzina...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Ressaca emocional

Ambos tinham muita coisa na cabeça.
Alice só pensava nas coisas que fez naquela noite e em tudo o que havia acontecido. Imagens da discussão que os dois haviam tido surgiam na sua cabeça. As palavras que os dois jogaram os magoaram demais. 
Enquanto isso, Eduardo permanecia em sua casa, chateado com tudo o que havia dito à menina na noite anterior. E com um único pensamento: "Será que devo procurar ela?".
Após algum tempo inquieto em seus pensamentos, ele pega em sua carteira uma folha de papel. Lá estava a letra que Alice havia escrito pra ele.
Ao ler aquela letra, aquelas palavras, ele já não conseguia esconder a preocupação que sentia por ela. Eduardo estava mal pela briga e só conseguia pensar em abraçar Alice novamente, nem que fosse para não falar nada, só queria acalentar seus corações e pensamentos.
Foi aí que surgiu a ideia. Ele pega um caderno e uma caneta vermelha, pois sabia que era a cor favorita dela e começou a re-escrever. Tudo o que continha naquele papel foi modificado. Edu colocou todo o amor e preocupação que estava sentindo por ela.
Ao acabar de escrever, ele ligou o computador e enviou um e-mail para Alice dizendo: "De todas as pessoas no mundo, meu desejo só existe por você".
Com o computador ligado, a menina escuta o som de e-mail chegando, vai olhar imediatamente e se surpreende com as belas palavras do rapaz. Sem saber muito o que fazer, mas muito emocionada com tudo aquilo, a menina manda um sms para ele: "Quando se abre uma porta pra uma pessoa, qualquer um entra. Fico feliz que você entrou na minha vida."

domingo, 1 de janeiro de 2012

Mais uma vez sozinhos...

Por algumas ruas mal iluminadas, Alice e Eduardo vinham da festa. Ambos estavam alterados, mas Alice não estava como na noite em que Eduardo lembrava bem. A noite em que ela deixou sua casa sem explicações, mas também a noite em que ele a viu dormir pela primeira vez.
Alice já não parecia tão alegre e agitada, agora demonstrava em seu rosto um grande cansaço.
A casa estava silenciosa e escura, e essa era a única semelhança com o outro dia que estiveram ali juntos. Os dois entraram, Alice jogou sua bolsa em cima da mesa, a bolsa estava aberta e ela não percebeu quando ela caiu de lado e alguns de seus pertences saíram da bolsa.
Eduardo já não estava tão bêbado quanto antes, e quando foi deixar sobre a mesa sua chave, ele percebeu a bolsa aberta e o que caíra dela, uma pequena caixa havia aberto e dela alguns comprimidos se espalharam pela mesa. Alice estava mexendo na câmera de Eduardo, que estava guardada num armário que estava ali. Ela via as fotos tiradas, de modo aleatório e sem compromisso.
Eduardo pegou os comprimidos e sabia o que era logo quando os viu em sua mão, eram comprimidos de êxtase, e ele ainda percebeu alguns poucos anti depressivos no meio, lembrava da aparência dos anti depressivos pois sua mãe os tomou durante um tempo.
Alice foi ao seu encontro para saber o que se passava, e ele olhou para ela de forma triste, estendo as mãos e mostrando a ela o que acabara de descobrir, e Alice parecia perdida e desnorteada com aquilo. Ela andava de um lado para o outro.
"Alice! Eu sei o que são esses comprimidos, o que está acontecendo com você ? Ontem você parecia tão bem..."
"E eu estava, Eduardo, mas infelizmente minha noite não acabou naquele momento, eu queria muito poder deitar tranquila, mas existem outras complicações."
"Mas então, desde o começo da festa eu percebi que você estava diferente, e mesmo rindo e toda agitada você não parecia bem! Não parece a Alice de verdade!"
"Alice de verdade? Você não me conhece tão bem assim pra dizer isso. Eu tive uma briga com meu pai, um amigo meu tinha pedido pra eu guardar isso, e eu usei."
"Mas não é assim que se resolve, eu poderia ajudar você...Podia me ligar..."
"Eduardo, você me ajuda! Você é até mais que uma ajuda, mas simplesmente não é tão simples assim!"
Alice juntou algumas coisas em sua bolsa e um comprimido que ainda estava na mesa, e partiu para a porta, enquanto Eduardo tentou impedi-la. Mas ele sabia que nada iria adiantar naquele momento, ele não poderia simplesmente mantê-la ali. Apenas pediu que ficasse, mas ela olhou para trás com a mão já na porta.
"Eu preciso ir Eduardo, eu preciso ficar um pouco sozinha depois disso."
Enquanto Alice secava suas lágrimas abriu a porta e saiu.
O sol já tinha nascido entre as nuvens quando Alice foi para sua casa no bairro K11, e Eduardo ficou ali parado sem saber o que fazer, mas sentindo-se mais uma vez no vazio que conhecia bem.
Mais uma vez Alice partira, mas agora era uma situação diferente, ela estava triste e consequentemente ele também estava. Ele sabia que devia deixá-la sozinha, seria melhor para ela, mas foi difícil ficar em casa.
O dia amanhecia nublado, e combinava com a sensação de tristeza a sua volta.
Mais um dia surgia para os dois, mas a sensação era de estar anoitecendo, na escuridão.
Eduardo deitou no sofá, e apenas fechou os olhos pensando em Alice, e em como ela estava.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Estranhamente diferente


O dia já tinha amanhecido e Eduardo estava de pé,  pronto para ir para a faculdade. Antes de sair pela porta de casa, ele pegou a foto que Alice acidentalmente deixara cair em suas mãos noite passada, e a guardou no bolso. Não era por causa da cara dele na foto, mas atrás seu nome estava escrito com as letras engraçadas e belas de Alice. Com corações desenhados.
A viagem foi como sempre, trem lotado de pessoas. A manhã na faculdade não foi tão cheia, e Eduardo saiu mais cedo, o que deixou tempo livre. Mas estar livre, paradoxalmente, só o prendia mais em Alice.
Eduardo chegou em casa, tomou um banho e pensou em descansar para mais tarde poder trabalhar no sebo. Ele tentou pensar nos afazeres daquele dia. Livros chegando, e livros para catalogar. Mas nada prendia o suficiente para deixá-lo calmo, então desistiu por completo de tentar se segurar. Simplesmente, pegou o telefone.
O telefono tocou uma...duas...três...quatro vezes. E Eduardo já dizia a si mesmo.
“Ela não está em casa, e eu disse que ia ligar, será que liguei tarde? Será que ela está ocupada..?! Será que...”
Alice o interrompeu com voz meio sonolenta, porém feliz ao saber que era Eduardo, que  disparou convidando-a para sair mais tarde. Ela aceitou e, mais tarde, eles se veriam.
Na hora certa do encontro, às 21h30min, estavam eles juntos em um bar e, em frente, rolava uma festa de rock alternativo. As músicas ali chamaram a atenção dos dois, que curtiam, à distância, o som lá dentro.
A festa estava bem cheia, e ambos saíram do bar suficientemente altos, mas havia algo de diferente em Alice. Eduardo percebera. "Não era apenas a bebida."
Estava frenética e seu sorriso parecia cansado, algo nela não estava no seu lugar.
Os dois saíram da festa e, mesmo sabendo agora onde ela morava, Eduardo teve um vislumbre da imagem grotesca de seu pai ao vê-la naquela alegria frenética que estampava o cansaço no seu rosto.
Ele pensou em levá-la para a casa dele e ela logo concordou, mas agora iam eles, numa estranha distância, algo que estava prestes a surgir.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Após o beijo

Após o beijo, ambos olhavam para os lados na tentativa de disfarçar o semblante, e na procura por algo a dizer. Agora já era noite e aquela noite parecia mais fria, agora que o beijo tinha terminado. Alice olhou o relógio, já era tarde, mas ela nada disse.
Sobre a murada, estavam repousados a fotografia, e o scrapbook. Caídos um ao lado do outro, quando o beijo começou.
“E agora, o que eu digo? Será que devo dizer que foi a coisa mais incrível que me aconteceu... sei lá... nos últimos dez, vinte anos da minha vida, ou melhor, da minha inteira ?!” - Eduardo pensou, e sabia que não estaria mentindo pra si mesmo ao falar isso, mas não queria assustá-la, tinha medo de acabar com o clima que estavam.
Enquanto davam sorrisos sem graça e viam a cidade, estavam tentando achar o que fazer naquela situação. Observar a noite cair na cidade, e sobre eles, acabou sendo mais do que uma distração. Eles se aprofundavam mais em pensamentos, embora demonstrassem  tranquilidade. Algo os uniu um pouco mais, em meio à aparente inércia que seguia. 
Com as mãos próximas umas as outras, eles as uniram de um modo simples. Aquilo pareceu caloroso e deu vida à paz entre eles.
“O que ele deve estar pensando? Será que ele imagina o quanto isso significou pra mim? Acho que esse meu lugar aqui, onde sempre venho, vai ser mais do que um lugar para inspirações...Vou sempre lembrar do Edu aqui, com essa cara de bobo, me olhando, sorrindo pelos cantos da boca. E eu aqui não querendo parar de sorrir também...”
Alice pensava, até que ambos foram surpreendidos por uma voz rouca que gritava algo. Era o pai de Alice, ele queria mesmo era saber até quando ela ia ficar lá em cima com "o garoto", assim ele chamou Eduardo.
Eduardo se endireitou, ainda sem graça, sabia que tinha perdido a noção do tempo, assim como ela. Eles se abraçaram de um jeito sutil, no qual poderiam ficar pela madrugada toda.
Mas Alice o levou a porta.
"Bom...Foi muito bom, digo...incrível, er...Obrigado..ah..Eu te ligo, e eu te..te ligo." – Aquilo era muito e a despedida não ajudou, foi difícil.
"Sim, Eduardo. Foi sim... E..." - Alice sorriu para ele dizendo, mas foi interrompida pelo seu pai que tinha dito mais algo incompreensível.
"Eduardo... Espero que sonhe com o que aconteceu hoje a noite, pois eu vou sonhar. Boa noite!"
E, antes que Eduardo pudesse dizer algo, ela fechou a porta. Antes lançou um olhar lindo, de carinho, deixando claro que, por ela, aquela porta não fecharia, e ele ainda poderia ficar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Uma surpresa brilhante

Além da luz nublada daquela tarde, havia algo brilhante nascendo no rosto de Alice. Era uma lágrima que ela deixava cair, enquanto absorvia o que tinha acabado de acontecer. Alice tentou disfarçar, se assustou com a própria lágrima e o como aquilo foi bom para ela.
Eduardo se aproximou e secou sua lágrima com um toque suave no rosto dela. E esse mesmo toque a trouxe suavemente para mais perto dele, se olhavam sabendo o que estava para acontecer, mas tudo parecia durar muito mais tempo.
Quando fecharam os olhos, já estavam em um beijo que se misturava de leve com um toque salgado de uma lágrima, que não caíra do rosto de Alice.
Os pensamentos deles partiam pela pré-noite, no primeiro beijo. O beijo foi fluindo e acelerando muito mais do que o coração. Em suas mentes, seus pensamentos voavam rápidos em um fluxo louco de sensações que se esbarravam umas com as outras, mas não era caos, não era nada ruim. Ao contrário, era algo bom que ambos sentiam  de verdade, pela primeira vez. Não era apenas um beijo, era algo além, um lugar onde eles sabiam quem era, e o que sentiam um pelo outro.  
Até que abriram os olhos e se afastaram lentamente, um olhando para o outro, o rosto dos dois era uma mistura de sentimentos, estavam claramente felizes mas também não sabiam o que dizer.
Estavam confusos e meio sem graça, entretanto exibiam um sorriso pequeno que por dentro se abria em um largo sorriso, sorriso o qual, logo, queriam eles exibir um para o outro.
“Alice! Desde o dia em que te vi, isso tudo me fez sonhar, e agora a sinto aqui tão perto de mim!” Era uma onda de felicidade e calmaria...
“Eduardo! Você me fez chorar, seu garoto... como você pode ter feito isso? Mas, seja como for, você o fez e do modo mais bonito, porque foi tudo de felicidade...”
“Já não bastava ser essa pessoa maravilhosa que ela é, ainda beija tão bem!!”
“Esse garoto... Eduardo, você é um estranho conhecido, alguém que faltava pra mim.”

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pedaços de momentos

A tarde se passava aos poucos, e tão aos poucos era, que ainda se ouvia os carros ao longe, no caos pré-noturno da cidade. Enquanto que mais alto, era outro ar que envolvia Alice e Eduardo naquela tarde.
Com cara de quem estava em um sonho! Era assim que estava Eduardo na fotografia que ele encarava, e era assim que ele estava mais uma vez, só que agora ao lado de quem o fizera parecer tão longe naquele dia.
Ele sorria para ela, deixando escapar pelo canto de seu sorriso uma expressão, que qualquer um poderia saber o que era. Era emoção, daquela que parece somente existir em filmes, ou em livros empoeirados de velhos romances.
"Alice! Você tirou essa fotografia naquele primeiro dia, no mesmo dia em que fiquei como um louco tirando fotos suas. E parece que você captou bem o quanto eu estava perdido. Eu não imaginava que tinha isso, não imaginava que você tinha me olhado antes também." - Disse Eduardo, mal acreditando que, no primeiro dia em que a viu, ela tirou uma foto sua, enquanto ele estava só pensando nela, e quase cego para todo o restante a sua volta.
"Eu também vi algo em você e, quando pude, decidi guardar você de alguma forma. Talvez não o visse mais e isso estranhamente me pareceu tão ruim, mesmo não conhecendo nada de você. Não foi comum." - Disse Alice, sentindo que seu coração devia estar batendo tão calmamente acelerado quanto o dele.
Eduardo abaixou a cabeça e Alice pensou que ele não falaria mais nada. Nesse momento, as mãos de dele seguravam um scrapbook com fotos dela. Ele guardara em sua bolsa, há muito queria entregar a ela, e aquele era o Momento. Era fruto da inquietude que não o deixara dormir por tantas noites após aquele primeiro contato.
Sorrisos... expressões suaves... e sérias. Tudo estampado nas fotografias, coladas em páginas rabiscadas com palavras, que juntas eram poesias disfarçadas. Aquilo era demais para Alice.
Ela sentiu que todo o céu estava mais próximo, e não havia dúvidas em sua mente.
E, como o céu, seu rosto se iluminou com o que ela pensara ter a muito perdido, ou não encontrado mais.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Um esconderijo a céu aberto

Alice levou Eduardo para um lugar de tamanha importância para ela, o lugar onde ela costumava compôr suas músicas, algumas poesias  e melodias: A cobertura de seu prédio. De lá, Alice podia ver grande parte da cidade, era seu esconderijo a céu aberto, costumava ela dizer.
Os dois se olharam e o silêncio se fez por alguns instantes, até que Alice o quebrou:
"Como você chegou aqui ?"
 "O modo como cheguei aqui não importa tanto quanto o motivo que me trouxe. É  motivo Alice. E você sabe qual é. É só você!"
Disse Eduardo  quase sem respirar, enquanto Alice encarava a cidade à tarde. Até que foi sua vez de dizer, pois ela olhou para o par de olhos esperançosos de Eduardo e perdeu o medo de suas palavras.
"Eduardo, me desculpe por ter saído da sua casa naquele dia, daquela forma... Foi medo, foi algo que não pude pensar direito, na verdade eu sei o que foi... E foi isso que me assustou."
Ela o olhava como um alguém abandonado, parecia solidão que se diluía em palavras. Mesmo se sentindo cada vez mais profundo naquele mar de dúvidas, Eduardo sabia que sendo Alice, ele respirava.
"Alice, você pode me dizer o porquê de ter ido? Juro que depois disso me sentiria menos louco."
Alice virou seu rosto na direção do vento e disse suavemente.
"Eu disse que sei o porquê o deixei naquele dia. Foi por ser algo novo, diferente, e verdadeiro pra mim." – Enquanto disse Alice deixou cair do bolso, uma fotografia que foi aterrissar aos pés de Eduardo. 
Era ele mesmo, em meio a pessoas que iam para todas as direções, estava com um ar perdido, de quem estivera sonhando e acordara sem saber onde estava.
Ele pegou a foto com as mãos e Alice o encarou quase sem acreditar que deixara aquilo acontecer: a fotografia de  Eduardo confirmou o sentimento novo que Alice descobria. Mas as mãos dele já estavam no rosto dela, e ela não se sentiu só, nem medo houve.
O sorriso mais belo foi desenhado no rosto dos dois, o sorriso verdadeiro de quando não se precisa falar nada, quando não há tempo, nem verbos que quebrem um silencio tão completo.
Assim como aquela fotografia, Alice entregou a ele também seu sentimento, que era diferente e verdadeiro. E aquilo se encaixava perfeitamente no sentimento de Eduardo por ela.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Novamente, o pai!


Durante cinco minutos, ele ficou olhando a porta e lembrando-se de tudo que tinha ouvido falar sobre o pai da moça.
Apertou a campainha tentando fazer o mínimo de barulho possível e rezando para quem atendesse a porta fosse a mãe ou a própria Alice. Mas a sorte... Ah, a sorte não estava em seu lado naquele momento.






 "Pois não?" - a voz tinha um tom tão ríspido, que ele começou a entender o porquê da fama que o homem tinha.
 "Er.. Bom dia, senhor!" Uma tentativa de ser educado, mas logo foi cortado.
 "Fala logo rapaz, não tenho seu tempo!"
Eduardo viu que não iria ter sorte com o pai dela, então não pensou duas vezes e não tocou em momento nenhum em assunto de banda.
 "Bem, sou um amigo da sua filha, a conheço da faculdade. Ela deixou umas anotações muito importantes comigo, será que posso entregar a ela, pessoalmente?"
O Senhor fez um sinal de que ele poderia entrar e já foi logo gritando por Alice.
Ao perceber a presença do menino, ela pede pra ele esperar e se tranca no banheiro por alguns segundos. Queria pensar no que poderia falar com ele, pois sabia que ele foi buscar algumas respostas.
Enquanto isso, ele caminhava pela casa e encontrou uma porta semi-aberta: era o quarto de Alice. Ele entrou e começou a prestar atenção em cada detalhe daquele espaço, olhou suas fotos, alguns cadernos com composições da menina e, quando olhou para a porta, estava ela, parada e olhando para ele.
Ambos estavam assustados, e ela, quando percebeu que ele estava perto de algumas fotos, foi ate ele e pegou uma, na tentativa de esconder do rapaz.
Os dois se olharam, meio que sem palavras. Nenhum sabia como começar a falar, então é ela que solta as primeiras palavras:
"Me acompanha, vou te levar ao meu lugar favorito!"

domingo, 25 de dezembro de 2011

Uma manhã vazia

O sol entra pela janela, iluminando a sala e trazendo à tona um Eduardo ainda sonolento. Assim que ele pôde abrir  os olhos, eles foram direto para o sofá  na esperança de ver Alice deitada em seu sono profundo. 
Ele vê o vazio e logo desperta de qualquer indício de sonolência ou paz. Quase que instintivamente, ele procura por algum bilhete, algo que explicasse a repentina saída da menina, mas nada foi encontrado.
Ele anda pela casa na esperança de vê-la no corredor, ou até mesmo em seu quarto.  Eduardo viu suas coisas no quarto ainda no lugar, como sempre na aparência de um pós-terremoto, ou algo do tipo, mas tudo em seu lugar.

Havia muito pra entender e só quem poderia explicar era Alice. O telefone toca sem respostas na outra ponta da linha e, a cada chamada que não era atendida, mais confusão causava na cabeça de Eduardo.

Ele entrou em um estado de vazio, sem saber o que fazer, ficou sentado no sofá até que pensou em algo.
Eduardo decidiu falar com alguém: um integrante da banda “Poeira Cósmica”, a banda de Alice. Eduardo ligou para o guitarrista da banda, Marcus, o qual havia conhecido superficialmente. O mais importante era que ele sabia onde Alice morava.
Sem pensar muito ele toma um café rápido, um banho e sai em busca de respostas. Com o endereço em mãos e o coração mais do que acelerado, ele partiu pelas ruas movimentadas, quase como um fantasma pelas ruas. Era uma sensação de desespero, e as perguntas não paravam de reaparecer em sua mente confusa.



“Onde está Alice?” “Por que ela foi embora assim?” “Será que está bem?”
Rapidamente, ele já estava em frente ao prédio onde ela morava. Nunca tinha sido tão fácil encontrar algum lugar em sua vida, pois ele sentia que seu coração estava lá. 
O elevador subiu assim como seus batimentos cardíacos, levando-o a porta do apartamento.






sábado, 24 de dezembro de 2011

A realidade após o sonho


Com uma visão um pouco turva e muitas dores de cabeça, Alice acordou...
Olhou tudo em volta e não conseguia identificar o lugar onde estava. Então, começou a andar pela casa. Foi para a cozinha, havia uma mesa pronta para dois, mas não havia nada nela.
Andou um pouco pela casa, até que chegou ao quarto: um local um tanto quanto organizado, cheio de quadros, fotos de lugares e paisagens, postêres de algumas bandas que ela também gostava, e muitos livros, mas nada que identificasse o dono do quarto.
Ainda um pouco tonta, andou mais um pouco até a sala e, enquanto procurava sua bolsa, ela avista Eduardo, deitado no sofá, parecia um pouco desconfortável, mas com aparência serena.
Ela parou em frente a ele, olhou para aquela expressão do rapaz que parecia dormir como um anjo, e coisas boas passaram pela sua cabeça. 
De repente, como num piscar de olhos, ela só conseguia pensar no pesadelo que teve. Parecia que era só olhar para ele e começar a ter alguns sentimentos muito surreais.
Então, sem pensar muito, ela pegou suas coisas e saiu, tentando fazer o mínimo de barulho possível e não acordar o rapaz.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um sonho de Alice


Alice abriu os olhos, tudo estava mudado, e não havia mais Eduardo no chão da sala.

Vultos passavam, e seres estranhos se formavam na luz fraca. Tudo parecia ser feito de fumaça e por onde ela passava as coisas iam se desfazendo.
Alice caiu em um turbilhão pavoroso, onde seu grito ecoou por entre milhares de objetos desconexos.
Como se um furacão tivesse levado para ali todo o tipo de coisa.
Ela caía cada vez mais rápido e, no fundo, via alguém olhando para cima com um sorriso estranho e de braços abertos prontos para segurá-la. Mas um vento estranho o levou, ele se desfez e sobrou apenas o chão, cada vez mais próximo.

Tudo escureceu.

Alice acorda e vê tudo em seu lugar: Eduardo ainda ao chão da sala dormindo. Ela estava perdida em um pesadelo. E esse pesadelo a fez se sentir deslocada.

Ela estava na casa de Eduardo, aquelas sensação e situação eram novas.

Alice pensou em ir, não sabia o que fazer, esperava se desculpar depois, mas não podia ficar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Indo para casa

"Eduardo! Eduardo! Aqui!"
Com um sorriso no rosto, Alice vinha correndo enquanto um Eduardo estático tentava acreditar no que via. Ele simplesmente não esperava por aquilo. Surpreso, e bobo demais Eduardo tentar falar algo.
"Alice! Você ?! A essa hora, o que está fazendo aqui ?"
"Eu...Estava passando por aqui mesmo, comprando umas coisas... Err... Ok, eu  vim ver você mesmo, queria falar com você e vi que você viria nessa festa. Então decidi vir e por sorte te vi..."
"Bom, já que estamos aqui no meio dessa noite, vamos tomar alguma coisa, tem um bar legal aqui perto. E aliás você disse que queria falar comigo..."
"Bom, um bar, é isso que precisamos... Vamos!"

Os dois foram cruzando as ruas, jogando conversa fora. E, como sempre faziam, olhando um ao outro naquele olhar quase bobo. Belos olhares em uma noite.
Eduardo não pôde se conter e disse:
"Bom, preciso dizer, mas nem sei muito bem como me expressar...Sobre como é bom te ver aqui."
Alice somente sorri, e nada diz.

...Uma cerveja, duas cervejas..Até que entre conversas e sorrisos ela descansa sua quinta longneck, enquanto ele tinha terminado apenas uma.
Eduardo ainda pergunta para Alice o que ela queria falar com ele, mas só consegue essa resposta: “Estou aqui, porque... porra, você tá girando!” E ela ri disso, ainda assim daquele modo, o qual  Eduardo considerava meigo e sincero demais.

Ela veio do nada, e no estado em que estava não tinha como voltar para casa. Ele nem sabia exatamente onde ela morava. Acabou decidindo levá-la para sua casa e simplesmente cuidar dela.
Eram 00:30, relativamente cedo para se estar em casa, e a mãe de Eduardo já dormia.
Alice chegou falando e abraçada a Eduardo. Ela deitou no sofá da sala, olhando para ele disse
-"...Queria dizer, que... senti saudades..."
Ela parou de falar. Ele sentou ao lado dela enquanto a via desabar no sono.
Depois de minutos, são seus olhos que pesam e ele dormi, bem no chão da sala, ao lado de Alice.
A noite dos dois terminou ali, de um modo que os dois nem imaginavam acontecer.



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Uma noite quase acabada

Eduardo estava em sua casa, fazendo uns preparativos para um evento - que só aconteceria semana na semana seguinte - movia coisas em seu quarto, editava algumas fotos...Tudo na esperança de matar o tempo.
Ele cantava suas músicas preferidas no volume máximo, como se pudesse calar sua mente que só o lembrava da voz de Alice, e das imagens daquela noite que tiveram. Eduardo achou que foi a noite de sua vida, como se tivesse nascido outra vez, e bem ao lado dela.


 De repente o celular dele toca: é Caio, seu amigo barman.
“Hey cara! A noite parece ta quieta pra vc, vamos sair..Tah sabendo q vai ter o show da Cinderela Destrutiva, no Galpão Fase 1. Se liga, toh te enviando o flyer no e-mail  =D  responde aí se vai, até mais”
"É, creio que eu vá mesmo, talvez o som de uma banda legal me deixe menos inquieto, distraia minha mente. Então... Bom... Minha noite vai mais silenciosa do que nunca, eu vou sim... A gente se vê lá então, ok?! =) ”

Alice estava em seu quarto fazendo alguns ajustes em  seus projetos para a faculdade e, olhando pela janela, algo lá fora a chamava para sair, mas ela tinha que ficar. TER que fazer algo! Essa era uma das definições que Alice detestava. Mesmo gostando do que fazia, ela queria estar fazendo outra coisa, como estar em outro lugar, com um certo alguém.
No facebook,  conversando sobre seus projetos com um pessoal da faculdade, ela viu um evento que iria acontecer naquela mesma noite. O mais surpreendente e capaz de tirar um sorriso do rosto da vocalista foi o "EU VOU" dado por Eduardo - Sim! O seu Eduardo! - no dito evento.

Em meio há algumas pessoas indo pra lá e pra cá, Eduardo não se sente bem. Cansado, ele decide sair e ir para casa, já havia curtido o que a noite tinha a oferecer e só pensava em desabar em sua cama e apagar.

Na saída, ele distraidamente olha para um lado, mas quando olha para o outro, lá está Alice.
A Esperança quase sumida dentro de Eduardo, de repente, reaparece personificada nela mesma. Ali, parada, ainda ao longe, gritando seu nome e, ao mesmo tempo dizendo com seu olhar: um 'Olá!' , um 'Boa Noite!', um 'Não Sei O Que Estou Fazendo Aqui, Mas  Acho Que É Saudade' ...
E ele respondia quase que não acreditando...



Seja o que for, a noite novamente os uniu.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um novo despertar

Mal tinham se deitado e os despertadores de ambos tocam quase em sintonia perfeita.

Eduardo iria se atrasar pra sua primeira aula. Não era uma coisa que ele gostava de fazer, mas naquele dia parecia que nada importava. Ele só conseguia pensar em Alice.
A menina também não parava de pensar nele. Ela ainda tinha um tempo antes de sair de casa e, enquanto se arrumava, se lembrava dos detalhes da noite anterior. Seu pai já não estava mais lá e a menina nem conseguia mais lembrar da briga que tiveram, só pensava na noite junto ao rapaz.
Na hora do almoço, Eduardo estava com os amigos e não conseguia esconder que alguma coisa havia acontecido. Todos ficavam perguntando o que tinha acontecido de tão especial para o rapaz estar com aquele ar tão feliz no rosto. Nem mesmo Eduardo conseguia entender o que estava sentindo naquele momento, que dirá explicar para alguém!
Quase que no mesmo horário, Alice estava no galpão, onde sua banda ensaiava, fazendo uma música para a letra escrita poucas horas atrás, quando ainda estava com Eduardo.

Eduardo, no sebo, trabalhou tão bem. Conseguiu até vender um livro para o cliente mais rabugento . Ao final da venda, Edu respirou fundo. Não sabia porque estava tão calmo e tranquilo. Sem querer, pôs a mão no bolso e pegou o guardanapo com a letra miúda de Alice.
Do outro lado da cidade, uma voz soava límpida, doce, suave, perfeita aos ouvidos e feliz: era Alice cantando a música ainda sem nome. Ela queria mesmo que Eduardo a ouvisse, por isso cantava como se disso dependesse sua vida. Nunca havia cantado tão bem.
Ambos tiveram dias normais, atarefados e cheios de complicações cotidianas... Mas, apesar disso tudo, os dois só conseguiam pensar um no outro. Mesmo de longe, os dois ainda pareciam conectados. 
Era quase noite, Alice já estava em casa fazendo um projeto da faculdade e Eduardo, no ônibus, rumo de casa. 
O celular de Alice toca, era uma mensagem do rapaz: “Não consigo parar de pensar em você, queria que soubesse”.